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Diário de Aprendizado - Arte Feminina nº 2

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"Dezessete anos gastos comendo, embromando e desperdiçando tempo .... A arte é eterna, mas a vida é curta... Tenho que compensar isso agora, não tenho um minuto a perder."  Assim escreveu  Evelyn de Morgan (1855-1919) em seu diário, às vésperas de seu aniversário de 17 anos, decidida a ser artista, apesar da resistência da família.   Evelyn Morgan, Noite e Sono , 1878 Dentre tantas obras mencionadas no livro A História da Arte sem os Homens, escolhi destacar cinco artistas. Foi difícil, pois jamais imaginava quantas mulheres talentosas foram ignoradas na história da arte. Enfrentaram preconceito e tiveram seu talento invisibilizado, muitas vezes sem acesso à formação ou exposições. Algumas só começaram a ser reconhecidas recentemente. 1. Angelica Kauffman (1741-1807) - Arte neoclássica:  Foi uma das fundadoras da Royal Academy of Arts (Londres). Especializou-se em retratos e temas históricos, desafiando as convenções da época. 2. Élisabeth Vigée Le Brun (1755-18...

Feijoada Carnavalesca

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Ontem foi dia de samba, feijoada e muita animação no Esporte Clube Pinheiros! Como já virou tradição, o clube abriu sua temporada pré-carnavalesca com uma feijoada completa ao som de grandes nomes do samba. Diogo Nogueira comandou a festa, seguido pelo Pagode do Exalta e pela energia contagiante da Escola de Samba Rosas de Ouro. E eu? Sambei a tarde toda ! Me empolguei, dancei, cantei... Ah, a feijoada, a caipirinha e os doces! Relembrando os tempos de juventude nos salões , só faltaram a lança-perfume, os confetes e as serpentinas de antigamente! Mas essa tradição vai além da diversão. O costume de reunir amigos em torno de uma boa feijoada e do samba tem raízes na nossa cultura. E esse costume tem nome e sobrenome: Tia Ciata. Uma das grandes responsáveis pelo nascimento do samba no Brasil, Tia Ciata nasceu na Bahia e, já radicada no Rio de Janeiro, transformou sua casa em um ponto de encontro de músicos e sambistas. E, claro, servia feijoada! Foi lá que surgiu " Pelo Tele...

Diário de Aprendizado - A Arte sem os Homens (#1)

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Quantas mulheres artistas você consegue nomear de cabeça?  Essa pergunta me pegou de surpresa logo no início do encontro. De imediato, lembrei de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Frida Kahlo . Mas logo percebi como essa lista era curta. Por que conhecemos tão poucas artistas mulheres? Essa reflexão surgiu a partir do livro História da Arte sem os Homens,  de  Katy Hessel, base para o Clube de Leitura sobre História da Arte. A obra destaca mulheres que , por séculos, foram invisibilizadas. Nessa primeira parte, exploramos o papel das mulheres na arte entre c.1500 e c.1750 (c. significa circa , ou seja, "por volta de" . O livro revela como o cânone da arte -  o conjunto de artistas considerados mais importantes - quase não inclui mulheres. Muitas tiveram seus nomes apagados ou suas obras atribuídas a homens. D urante séculos, só conseguiam reconhecimento se fossem de família de artistas ou tivessem um patrono influente. Foram impedidas de estudar formalmente e, ...

FLÁVIO CERQUEIRA - Um Escultor de Significados

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Ah, que pena! A exposição no Centro Cultural Banco do Brasil foi fantástica, mas já terminou. Você conseguiu ver? Também gostou? O artista Flávio Cerqueira me encantou com suas esculturas. Nascido  em São Paulo, ele tem a figura humana como protagonista de suas obras. Trabalha com processos tradicionais de fundição em bronze, que começam com a modelagem na argila, seguida de uma camada intermediária, até que a peça finalmente recebe o bronze. Algumas peças ganham uma pintura automotiva branca, que, além de um efeito bonito, tem um significado especial dentro do trabalho dele. Uma curiosidade é que cada escultura tem sete exemplares, permitindo que suas obras estejam em diferentes museus ao mesmo tempo. Já vi peças suas na Bienal, na Pinacoteca, no Masp e na SP-Arte, e todas impressionaram. " Amnésia", uma de suas obras mais marcantes, pode ser vista no MASP. Além das exposições no Brasil, suas esculturas já estiveram em mostras internacionais nos Estados Unidos, na Áfri...

NOSTALGIA - Um debate que dá o que pensar!

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Participei de um encontro literário na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi, com o grupo de literatura do qual faço parte. Discutimos Nostalgia , de   Mi rcea Cartarescu, um  livro descrito como desafiador, fascinante e perturbador.  Ele mistura o real com o fantástico, altera narradores de maneira inusitada e explora temas como conflitos internos, opressão e liberdade. A escrita de Cartarescu parece brincar com os sentidos do leitor, levando-o a um estado de sonho, quase delirante. Alguns não amaram, mas ninguém ficou indiferente. Durante as discussões, foram abordados tópicos como a cidade opressiva, o homem que incorpora uma mulher por amor, a influência russa e as encantadora s brincadeiras das meninas.  Confesso que me arrependi de não ter lido o livro inteiro antes do encontro. Talvez, se tivesse me esforçado um pouco mais, teria aproveitado a conversa de outra maneira. Agora, Nostalgia não sai da minha cabeça. Preciso voltar a ele, explorar as histórias ...

A Magia da Moqueca no Al Mare

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No Espírito Santo, moqueca não é só um prato, é uma paixão. Como diz o historiador Cacau Monjardim: "T emos uma moqueca que a gente come de manhã, de tarde, de noite, de madrugada e no outro dia também. E está inteiro." Essas palavras dizem muito sobre esse prato tão nosso: tradição, história, encontro. Recentemente, em São Paulo, notei que a magia da moqueca se espalha por todos os cantos. Pertinho de casa, no bairro de Moema, o restaurante Al Mare está em plena "Temporada da Moqueca" oferecendo diferentes preparos desse prato. Fui com meu marido e minha filha, e experimentamos uma daquelas moquecas que a gente saboreia devagarinho, entre boas garfadas e um silêncio gostoso.  A moqueca tem história. Vem dos indígenas, que cozinhavam peixe embrulhado em folhas. Depois, os africanos trouxeram o azeite de dendê e o leite de coco. Já os portugueses ajudaram a montar o prato com temperos como alho, cebola e coentro, além do jeito de cozinhar o peixe em ensopado. Na Bah...

Ray Charles no Teatro: Um Ritmo Inesquecível

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Fui ao teatro querendo me encantar com a genialidade de Ray Charles, a força de sua música, a emoção de sua voz. Mas confesso que  não esperava ver tão de perto seus deslizes, sua vida cheia de altos e baixos, suas escolhas que fizeram tantas mulheres sofrerem. É sempre difícil separar o gênio do homem. Ray foi brilhante, inovador, revolucionário, mas conviveu, intimamente, com o obscuro mundo das drogas. E a peça mostrou tudo isso. Os atores foram impecáveis, com vozes de arrepiar, e o palco foi uma surpresa à parte, misturando camarins, trocas de cenários e, no momento mais impactante, abrindo as cortinas para a Avenida Brigadeiro Faria Lima. A interpretação de Letícia Soares como Della Beatrice Howard (Bea), esposa de Ray Charles, emocionou. Em uma das canções, sua entrega e sua voz foram tão marcantes que arrancaram aplausos de pé.  Mas Ray era muito mais que suas falhas. Lutou contra o racismo, recusando-se a tocar em teatros segregados, criou uma fundação para jovens ceg...