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SP ARTE

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Estive na SP-Arte deste ano, realizada no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Diferente da Bienal, que acontece a cada dois anos e funciona como uma vitrine de importância mundial, a SP-Arte tem outra proposta: divulgar e vender as obras expostas. É uma feira como tantas outras pelo mundo. Mostra a produção contemporânea, o design, os novos lançamentos e abre  oportunidades para novos artistas. Este ano estava muito bonita, com muitos artistas brasileiros que já vi em exposições aqui no Brasil e também fora. Acho que foram poucos dias abertos ao público, só quatro, e eu acabei vendo apenas o primeiro andar, onde ficam as galerias. Havia ainda outro andar com mobiliário e design, que ficou para uma próxima visita. Meu pé , com um dedinho quebrado, também não ajudou muito. O espaço estava cheio de gente bonita e elegante... e eu mancando. A SP-Arte não é uma exposição: é um mercado de obras. Tudo está à venda, e algumas chegam a custar milhões. Quem compra? Colecionadores, e...

Os Miseráveis

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Ainda estou em ritmo de Oscar. Lembrei do musical Os Miseráveis , lançado 2012. Na época, amei — mas já lembrava de pouca coisa. Lembrava mesmo da música. Sempre escuto e continuo amando. Por isso, resolvi assistir ao filme novamente, num final de tarde. A história do livro de Victor Hugo se passa na França, na começo do século XIX, logo depois da queda de Napoleão Bonaparte, num período de muita desigualdade. Para começar, uma grande injustiça: Valjean é preso por roubar um simples pedaço de pão para dar a família. A pena é longa demais. Um absurdo. Fantini sofre para sustentar a filha, Cosette. Sem ter como cuidar dela, deixa a menina com outras pessoas — e a criança é maltratada.É uma das partes mais emocionantes. É nesse momento de extrema tristeza que ela canta a música que eu gosto, I Dreamed a Dream. A música não concorreu ao Oscar, mas Anne Hathaway ganhou como atriz coadjuvante. Jalvert (Russell Crowe) representa a lei rígida, sempre perseguindo Valjean. Tem também a cena das ...

Não era só sobre Jung

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Entre o MIS do Jardim Europa e o MIS Experience, há propostas diferentes. Um é mais íntimo, mais aconchegante. O outro é maior, mais tecnológico. Um não é melhor que o outro — são experiências diferentes. Foi no MIS do Jardim Europa que vi a exposição " A alma humana, você e o Universo de Jung". A cabei não publicando enquanto ela ainda estava em cartaz. Logo na entrada, já dá para sentir que não é uma exposição comum.  Não é só para ver. É para sentir e pensar. A exposição vai acontecendo.  Uma sala... depois outra... Tivemos a companhia de uma mediadora do próprio museu. Ela foi conduzindo e mostrando os pontos mais importantes. Isso fez toda a diferença. A gente passa a olhar melhor, a aproveitar mais. É com ela que entramos nos temas da exposição. Fala do inconsciente — aquilo que está em nós, não se vê... mas a gente sente, como um medo ou uma intuição. Depois vêm os arquétipos — ideias que já estão dentro da gente, como a mãe, o herói, a criança... mesmo sem a gente per...

Um discurso que emocionou...

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Como foi bom assistir ao Oscar deste ano, principalmente pelo discurso do vencedor de Melhor Ator, Michael B. Jordan. Emocionou a plateia, me emocionou e, com certeza, a muitos. Sua presença já dizia tudo: simples e carismática. E o discurso veio na mesma linha — de gratidão e reconhecimento de trajetória. Ele lembrou de quem veio antes e deixou claro que não chegou ali sozinho. Em um dos momentos mais bonitos, disse: "Eu vou continuar sendo a melhor versão de mim mesmo que eu puder ser." E  repetiu com emoção: "Eu amo vocês." Sem exageros, sem ser longo — na medida certa e cheio de verdade. E ainda surpreendeu depois: foi a uma lanchonete comer hambúrguer e milk-shake, com a estatueta na mão. Surpreendeu funcionários e clientes. Mesmo no auge da carreira, escolheu celebrar assim, ao lado de pessoas comuns. Jordan vem construindo sua carreira com consistência. Começou na televisão, ganhou força no cinema e se destacou em filmes como Fruitvale Station, Pantera Negra ...

Gala Dalí

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Fui assistir à peça Gala Dalí,  uma surpresa agradável, um presente para mim mes ma.   Um teatro mais simples, sem a grandiosidade dos grandes palcos. Mais próximo, mais aconchegante. A proposta da peça acompanha esse ambiente. Texto e atuação de Mara Carvalho, em cena com uma presença muito forte. Daquelas artistas de teatro mesmo —  que conduzem tudo pela palavra e pela presença. Não é um palco suntuoso, nem uma produção grandiosa. É simples — e não falta nada, porque o que importa ali é o texto. Gala aparece como uma mulher à frente do seu tempo, dinâmica, empreendedora, de personalidade forte. Passa por relações marcantes — primeiro com o poeta  francês Paul Éluard e depois com o artista Salvador Dalí — e fica a impressão de que foi muito amada, muito desejada, além de muito importante na vida dos dois. Um amor diferente, como tudo ao redor deles — muitas vezes descrito como sui generis. Há momentos em que a gente quer ser igual a ela.  Não em tudo — mas em ...

TBT — Vovó com Netinho no MAM

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Hoje, em clima de TBT, voltei a um dia muito especial... Vovó   de 4 netinhos, em uma faixa etária entre 2 e 16 anos, sem "expertise" e agilidade para acompanhar essa garotada, decidi convidar um deles para um passeio ...somente nós dois.    Marcelo, 8 anos, estava disponível e  escolheu almoçar no restaurante Kôfu Sushi, restaurante japonês; e de sobremesa, sorvete na Bachir Lebanese Ice Cream.  A sugestão do Mamá (apelido carinhoso do meu netinho) foi impecável. Os dois locais são deliciosos. Um em frente ao outro. Perfeito complemento. Caminhamos até o Parque do Ibirapuera. Ele se encantou com o parque vazio, fotografou, estava super animado; tarde clara, tudo parecia mais bonito! A surpresa era a visita ao MAM — Museu de Arte Moderna, onde o educador  Leonardo Sassaki,  do próprio museu, estava nos aguardando.  Mamá curtiu muito: as pinturas, esculturas e a penúltima sala, uma instalação, que abrangia um compartimento espaçoso, envidraçado, co...

Uma noite inesquecível com Deus na Escuridão

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Na manhã seguinte, depois das mensagens no nosso grupo de WhatsApp, escrevi apenas isto: "Uma daquelas noites inesquecíveis. Já tivemos isso com alguns livros, mas desta vez aconteceu com todas as que estavam presentes. Ainda estou sensibilizada. Beijinhos!" E foi assim. O livro foi Deus na Escuridão,  do escritor português Valter Hugo Mãe. Uma história delicada sobre cuidado, amor e responsabilidade. Valter Hugo Mãe nasceu em Angola, em 1971, e viveu em Portugal. É um escritor importante da literatura portuguesa, foi elogiado pelo próprio Saramago e recebeu o Prêmio Literário José Saramago em 2007. Ele escreve de um jeito diferente, com pontuação estranha e muitas vezes com letras minúsculas, lembrando um pouco Saramago. No começo a gente estranha. Aos poucos, acaba gostando desse jeito de escrever. Até o jantar daquela noite parecia que estávamos no livro. O vinho, com notas  de frutas e madeira, lembrava a Ilha da Madeira, cenário da história. Depois veio a torta de banana...