Postagens

A Melhor Coxinha de São Paulo

Imagem
A melhor coxinha de São Paulo, para mim, era a da Lanchonete Intervalo. Esses dias eu estava com um grupo que não conhecia a Intervalo, então fomos ali ao lado da Catedral da Sé comer a "melhor coxinha", segundo o grupo. É preciso admitir: estava muito gostosa. Na mesma hora lembrei de tempos atrás, quando fui até o Frangó comer  a famosa coxinha deles. Naquela época, muitos diziam que era a melhor da cidade. E, claro, comparei imediatamente com a dá Intervalo. A Intervalo fechou faz alguns anos. Mas eu ainda sinto saudades daquele lugar. E percebo que não sou a única. Muita gente que frequentava a Intervalo e que encontro até hoje comenta o quanto a lanchonete faz falta. Ela ficava dentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e do Hospital Santa Isabel e era muito mais do que um lugar para comer. Médicos, enfermeiras, assistentes sociais, funcionários, pessoal da diretoria, alunos... gente de todo canto do hospital passava por ali. Entre um café, uma coxinha e muitas co...

Catedral da Sé

Imagem
Passei uma manhã inteira na Catedral da Sé, oficialmente chamada Catedral Metropolitana Nossa Senhora da As sunção.  Sexta-feira já tem um clima especial. É aquele dia em que a gente começa a entrar no ritmo do fim de semana. Já costuma ser um dia gostoso. Mas, depois dessa visita, a sexta-feira ficou ainda mais especial. A visita guiada foi conduzida por um profissional muito preparado que, durante quatro horas, falou sobre a história, a arquitetura, os símbolos, os detalhes da construção e as curiosidades da catedral. Claro que seria impossível lembrar tudo o que ouvi. Então vou tentar reunir aqui um pouquinho daquilo que consegui assimilar. Construção da Catedral A atual Catedral da Sé começou a ser construída em 1913. O projeto em estilo neogótico foi inspirado nas grandes catedrais francesas.  A catedral impressiona pelos números: são 111 metros de comprimento, cinco naves e uma enorme cúpula de 62 metros de altura.  Em 1954, foi inaugurada oficialmente durante as co...

Desencontros

Imagem
Recentemente, vivi um desencontro. Um sentimento de não ser compreendida — e isso me deixou triste por meses. Fiquei pensando como isso mexe com a gente. Não é só o que acontece, é o que fica por dentro. Aquela sensação de não ter sido ouvida do jeito que precisava. E, curiosamente, eu conheço a história do Van Gogh. Uma vida inteira sem ser compreendido. Não vendia seus quadros. Dizem que vendeu só um — e ainda assim quase por pena. Quem realmente o sustentava era o irmão, que assumia todas as despesas. Mas o mundo não entendia. Porque a pintura dele era diferente. Avançada demais para a época. Enquanto muitos pintavam imagens mais certinhas, naturezas-mortas, ele via a paisagem de outro jeito. Ele sentia, interpretava, via além. E isso, em vez de aproximá-lo das pessoas, acabava afastando. Agora, estou lendo um livro que traz uma outra história. Um menino encontra um grande músico. Chega cheio de admiração, querendo aprender — queria entender o som de uma nota pura. O músico, com boa...

Uma surpresa da Amazônia aqui perto de casa — DaSelva

Imagem
Como é bom dar uma voltinha pelas ruas aqui perto de casa e, de repente, encontrar um restaurante da Amazônia.  Assim é o DaSelva Peixaria Amazônica, desses que dá para ir caminhando. Uma surpresa gostosa. Comida boa, sabores novos... tudo diferente do nosso dia a dia. Tem sucos, caipirinhas com frutas exóticas e pratos com aquele gostinho típico lá de cima do Brasil. E o tambaqui... é o carro-chefe da casa. Prato para compartilhar por duas ou mais pessoas. Uma farra, e todos querem provar. Eu pedi camarão de entrada, tambaqui e, de sobremesa bolo de limão sicilianos com uma calda de fruta diferente, que eu nem sei o nome. Tem também tambaqui congelado para levar para casa e preparar depois, do seu jeitinho. O ambiente ajuda: muito verde, paredes desenhadas com muitos peixes... até parece que a gente está viajando para outro lugar. Um passeio simples, mas que vale. "O melhor tempero da comida é a fome." — Sócrates Av. Hélio Pellegrino, 204 - Vila Nova Conceição

A Revolução dos Bichos — George Orwell

Imagem
Depois de passar por diversos países, seus escritores e suas literaturas clássicas, não poderia faltar um livro curtinho da literatura inglesa. Logo pensei em A Revolução dos Bichos, um livro muito famoso que meu marido já tinha me indicado. Mas confesso: não me entusiasmei só por causa do título. Como perdi tempo. Deveria ter lido antes. É um livro que não ganhou grandes prêmios, mas é um dos livros mais lidos e indicado nas escolas pelo mundo. Seu autor também é considerado um dos grandes nomes da literatura do século XX. A história começa com a morte do dono de uma fazenda, então os animais se reúnem. Cada um com suas características, sua força e seu jeito. Mas, aos poucos, a gente percebe que não é só uma história de bichos. É uma sociedade organizada, com hierarquia, com quem manda e quem obedece. E ali aparecem diferenças, desigualdades e disputas de poder. O que começa simples vai mudando aos poucos. No início, tudo parece mais justo. Depois, já não é bem assim. As regras vão s...

Quando ela pediu que todas se levantassem

Imagem
Autumn Durald Arkapaw venceu o Oscar de Melhor  Fotografia pelo filme Pecadores (Sinners) . Foi a primeira mulher a conquistar essa categoria em 98 anos. Um dos momentos mais marcantes do Oscar 2026 foi quando ela se dirigiu à plateia e pediu que todas as mulheres presentes se levantassem. Um gesto simples, mas cheio de significado. Um ato de enaltecer todas nós —  as que estavam ali, as que assistiram e as que leram sobre isso. Foi um discurso humilde e caloroso. Muito emocionada, ela agradeceu ao diretor, ao elenco e à equipe antes de fazer o pedido: "Eu não chego aqui sem vocês. Eu realmente, verdadeiramente quero dizer isso. Recebi muito amor de todas as mulheres durante toda essa campanha." E então: " Estou muito honrada de estar aqui e gostaria muito que todas as mulheres presentes se levantassem, porque sinto que não teria chegado até aqui sem vocês. " Em poucos segundos, todas as mulheres da platéia estavam de pé. Vieram aplausos fortes, demorados... "E...

O Visconde Partido ao Meio — que livro chato!...até entender

Imagem
Procurei um livro italiano pequeno para me divertir, para rir. E acabei escolhendo O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino. No começo, estranhei. Achei tudo inusitado, fora do que eu esperava, e até pensei em desistir. Li uma parte e notei uma coisa: não ri. E achei curioso, porque muitos falam do humor do Calvino. Mas o humor não é de gargalhada; é mais sutil, mais de pensar do que de rir. A história se passa na Sardenha, uma ilha da Itália, e é quase uma fábula, um livro totalmente esdrúxulo: um homem vai para a guerra, leva um tiro de canhão, fica dividido ao meio... e não morre. Desde o começo já dá para ver que é uma ficção bem exagerada. E a história segue assim, nesse tom. Mas, aos poucos, fui entendendo melhor. A história mostra um homem dividido em dois: um lado só bom e outro ruim. E é curioso ver que nenhum dos dois funciona de verdade. Nem o extremo ruim,  nem o "bom demais" dão certo.  Os dois lados acabam prejudicando tudo ao redor. O livro começa estranho,...