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Mestres da Carpintaria Japonesa

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Penso em ir ao Japão, mas o tempo de voo ainda me traz ansiedade. Por isso, achei uma boa ideia me aproximar da cultura japonesa pelo que São Paulo tem a oferecer. Foi nesse espírito que visitei a Japan House. Fui olhando mais para os encaixes do que para os pregos; mais para o trabalho do mestre do que para o resultado final. A  exposição mostrava arquitetura, design e tecnologia, mas o que mais me chamou a atenção foi a delicadeza: das obras, do espaço, da forma como tudo se apresenta. O Japão tem grande parte de seu território coberto por florestas, e a relação com a madeira é profunda. O carpinteiro japonês observa a árvore, seu crescimento e seu lugar na natureza para escolher a madeira certa para cada uso. Esse cuidado, que envolve respeito e responsabilidade, deu origem a técnicas baseadas em encaixes precisos, pensadas para durar. Tudo ali é calmo. A luz é baixa. O percurso é claro. As pessoas falam pouco. O silêncio parece fazer parte da experiência. Sem perceber, a gente ...

Na livraria: Na voz dela, de Alba de Céspedes

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Foi um dos clubes de leitura com opiniões mais divergentes que já participei: houve quem amou (como eu), quem achou apenas razoável, quem sentiu repetição, quem demorou muito para ler e até quem não conseguiu terminar. As leituras foram muito diferentes, inclusive em relação ao contexto do livro. Minha impressão, sem dar spoiler, é que se trata de um romance de ficção em que os personagens estão acima da normalidade — e isso, para mim, torna a leitura interessante. Situações pouco comuns, que fogem do cotidiano, causam impacto e prendem a atenção. Outro ponto positivo é a estrutura. É um livro linear: começa na infância da protagonista e acompanha sua trajetória até o final, sem grandes quebras ou idas e vindas.  Para uma das participantes, o que mais tocou foi o contexto da guerra na Itália e as mudanças no cotidiano da população — algo que ela reconheceu nos relatos que ouvia da própria mãe. Para mim, a leitura seguiu por outro caminho. Fiquei mais direcionada ao universo feminin...

Sonhos de Trem: fui pela fotografia, fiquei pela história

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Sonhos de Trem é daqueles filmes que a gente assiste com atenção redobrada. Talvez porque tenha cinco indicações ao Oscar, talvez porque uma delas seja assinada por um brasileiro, ou talvez — em especial — porque a fotografia do filme é realmente um espetáculo.  As imagens chamam a atenção desde o início. O trabalho do diretor de fotografia se destaca pela sensibilidade com a luz, pelos enquadramentos precisos e pela forma cuidadosa como a paisagem é filmada. Os amanheceres, as florestas, os rios e os campos soltam aos olhos. São verdadeiras pinturas em movimento, que prendem o olhar e emocionam. O enredo também me deixou apaixonada. Aos poucos, o filme revela uma narrativa sensível e profunda. É uma vida simples, contada sem pressa, marcada pelo trabalho, pelas perdas, pela solidão e pelo silêncio. O personagem atravessa o tempo com uma resiliência discreta, sem grandes gestos, seguindo em frente, adaptando-se ao que a vida impõe. É no final desse percurso que ele passa a compreen...

O Alieniata X A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água

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"A gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele que o faz." — Machado de Assis Fiquei muito feliz comigo mesma por  ter tido a ideia de escolher livros curtos e ir passando pela literatura russa, francesa e agora a brasileira. Esta sendo uma leitura deliciosa. Cada autor, cada país, um jeito diferente de olhar a vida — e isso deixa tudo mais interessante. A literatura brasileira, em especial, me animou muito. Fazia tempo que eu não lia Machado de Assis e Jorge Amado. Na escola, a gente lê quase por obrigação, sem envolvimento. Agora foi diferente. Ler com mais idade, com tempo e vontade, muda completamente a experiência. Os dois livros que li foram O Alienista (1882) e A Morte e a Morte de Quincas Berro d´Água (1959). São novelas que prendem a leitura. A gente lê com prazer, curiosa para saber onde a história vai dar. Há ironia, momentos engraçados e, principalmente, muito Brasil. Em Machado, aparece um olhar mais crítico e irônico sobre o comporta...

Lima: sabores, histórias e uma descoberta pessoal

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Cada dia, um sabor. Pisco sour, ceviche, lomo saltado e pan con chicharron... sabores peruanos que marcaram minha passagem por  Lima e ficaram guardados na memória. Lima é uma cidade vibrante, cheia de histórias, museus, praças e jardins — como o  Jardim do amor, com vista para o Pacífico. Fiquei hospedada perto do Larcomar, um shopping construído sobre a falésia. A partir dali, explorei a cidade usando os ônibus turísticos, sempre com guia,   passando pelos principais pontos e permitindo conhecer Lima com tranquilidade e no meu ritmo.   O Centro Histórico  chama a atenção pela Plaza Mayor, o Palácio do Governo, as igrejas e os casarões coloniais, que ajudam a compreender a cidade desde 1535, quando foi fundada por Francisco Pizarro.   O que mais gostei em Lima foi perceber  como a história e a cultura estão presentes na cidade. Tanto nos museus quanto em espaços abertos, onde a arte aparece integrada ao cotidiano. Durante o dia, explorei Barranco, c...

Estrangeiro X A Queda

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Depois de ler dois livros curtinhos da literatura ru ssa, continuei a leitura com mais dois livros pequenos, agora de um autor francês: Albert   Camus . O Estrangeiro, de 1942 , e A Queda, de 1956.   Apesar de serem livros curtos, não são leituras fáceis. Camus escreve de forma filosófica, o que exige atenção. É o tipo de leitura que pede calma e reflexão. Em O Estrangeiro, o que mais me chamou a atenção foi a ausência de consciência moral do personagem. Ele vai vivendo, deixando as coisas acontecerem, sem questionar, sem reagir, sem se envolver. Parece que tanto faz o que acontece com ele ou o que ele faz. Essa postura cria a sensação de uma vida sem significado, quase vazia.  Ele não age por maldade, mas por indiferença — e isso incomoda profundamente. Já em A Queda, acontece o oposto. O personagem pensa demais sobre si mesmo. Ele começa a perceber que muitas de suas atitudes não vinham do desejo verdadeiro de fazer o bem, mas da vontade de se mostrar uma pessoa cor...

Sozinha, mas muito bem acompanhada

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Almoçar comigo mesma virou um dos meus pequenos prazeres . Sempre escolho uma mesa aconchegante, de preferência com um sofazinho. E, quer saber? Eu adoro. É a minha pausa do dia, o meu encontro com a culinária francesa. Geralmente começo o almoço com um Virgin Mary, esse suco de tomate com nome elegante e tempero perfeito, que abre o apetite com delicadeza.  Às vezes, antes mesmo das entradas, me permito um Pisco Sour . Que delícia! Só que o sono depois do almoço... ah, esse vem implacável. Para driblar essa anestesia emocional, pedi menos açúcar e, de quebra, umas azeitonas antes de começar. Resultado: bebida sob controle e uma tarde tranquila — até demais. Cada visita ao Ici Bistrô, aquele cantinho charmoso da Rua Mato Grosso, bem em frente ao Cemitério da Consolação, é uma descoberta. M e aventuro por entradas clássicas como escargots à la Bourguignonne (sim, caracóis — e deliciosos!), os irresistíveis mexilhões à la crème ou as delicadas jambonnettes de grenouille (as famos...