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Quando ela pediu que todas se levantassem

Autumn Durald Arkapaw venceu o Oscar de Melhor  Fotografia pelo filme Pecadores . Foi a primeira mulher a conquistar essa categoria em 98 anos. Um dos momento mais marcantes do Oscar 2026 foi quando ela se dirigiu à plateia e pediu que todas as mulheres presentes se levantassem. Um gesto simples, mas cheio de significado. Um ato de enaltecer todas nós, as que estavam ali, as que assistiram e as que leram sobre isso.4 Foi um discurso humilde e caloroso. Muito emocionada, ela agradeceu ao diretor, ao elenco e à equipe antes de fazer o pedido: "Eu não chego aqui sem vocês. Eu realmente, verdadeiramente quero dizer isso. Recebi muiro amor de todas as mulheres durante tosda essa campanha. E então: "Estou muito honrada de estar aqui e gostaria muito que todas as mulheres presentes se levantassem, porque sinto que não teria chegado até aqui sem vocês." Foram aplausos fortes, demorados...e, em poucos segundos, as mulheres da sala estavam de pé. "Estou falando sério mesmo. S...

O Visconde Partido ao Meio — que livro chato!...até entender

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Procurei um livro italiano pequeno para me divertir, para rir. E acabei escolhendo O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino. No começo, estranhei. Achei tudo inusitado, fora do que eu esperava, e até pensei em desistir. Li uma parte e notei uma coisa: não ri. E achei curioso, porque muitos falam do humor do Calvino. Mas o humor não é de gargalhada; é mais sutil, é mais de pensar do que de rir. A história se passa na Sardenha, uma ilha da Itália, e é quase uma fábula, um livro totalmente esdrúxulo: um homem vai para a guerra, leva um tiro de canhão, fica dividido ao meio...e não morre. Desde o começo já dá para ver que é uma ficção bem exagerada. E a história segue assim , nesse tom. Mas, aos poucos, fui entendendo melhor. A história mostra um homem dividido em dois: um lado só bom e outro ruim. E é curioso ver que nenhum dos dois funciona de verdade. Nem o extremo ruim,  nem o "bom demais" dão certo.  Os dois lados acabam prejudicando tudo ao redor. O livro começa estranh...

SP ARTE

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Estive na SP-Arte deste ano, realizada no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Diferente da Bienal, que acontece a cada dois anos e funciona como uma vitrine de importância mundial, a SP-Arte tem outra proposta: divulgar e vender as obras expostas. É uma feira como tantas outras pelo mundo. Mostra a produção contemporânea, o design, os novos lançamentos e abre  oportunidades para novos artistas. Este ano estava muito bonita, com muitos artistas brasileiros que já vi em exposições aqui no Brasil e também fora. Acho que foram poucos dias abertos ao público, só quatro, e eu acabei vendo apenas o primeiro andar, onde ficam as galerias. Havia ainda outro andar com mobiliário e design, que ficou para uma próxima visita. Meu pé , com um dedinho quebrado, também não ajudou muito. O espaço estava cheio de gente bonita e elegante... e eu mancando. A SP-Arte não é uma exposição: é um mercado de obras. Tudo está à venda, e algumas chegam a custar milhões. Quem compra? Colecionadores, e...

Os Miseráveis

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Ainda estou em ritmo de Oscar. Lembrei do musical Os Miseráveis , lançado 2012. Na época, amei — mas já lembrava de pouca coisa. Lembrava mesmo da música. Sempre escuto e continuo amando. Por isso, resolvi assistir ao filme novamente, num final de tarde. A história do livro de Victor Hugo se passa na França, na começo do século XIX, logo depois da queda de Napoleão Bonaparte, num período de muita desigualdade. Para começar, uma grande injustiça: Valjean é preso por roubar um simples pedaço de pão para dar a família. A pena é longa demais. Um absurdo. Fantini sofre para sustentar a filha, Cosette. Sem ter como cuidar dela, deixa a menina com outras pessoas — e a criança é maltratada.É uma das partes mais emocionantes. É nesse momento de extrema tristeza que ela canta a música que eu gosto, I Dreamed a Dream. A música não concorreu ao Oscar, mas Anne Hathaway ganhou como atriz coadjuvante. Jalvert (Russell Crowe) representa a lei rígida, sempre perseguindo Valjean. Tem também a cena das ...

Não era só sobre Jung

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Entre o MIS do Jardim Europa e o MIS Experience, há propostas diferentes. Um é mais íntimo, mais aconchegante. O outro é maior, mais tecnológico. Um não é melhor que o outro — são experiências diferentes. Foi no MIS do Jardim Europa que vi a exposição " A alma humana, você e o Universo de Jung". A cabei não publicando enquanto ela ainda estava em cartaz. Logo na entrada, já dá para sentir que não é uma exposição comum.  Não é só para ver. É para sentir e pensar. A exposição vai acontecendo.  Uma sala... depois outra... Tivemos a companhia de uma mediadora do próprio museu. Ela foi conduzindo e mostrando os pontos mais importantes. Isso fez toda a diferença. A gente passa a olhar melhor, a aproveitar mais. É com ela que entramos nos temas da exposição. Fala do inconsciente — aquilo que está em nós, não se vê... mas a gente sente, como um medo ou uma intuição. Depois vêm os arquétipos — ideias que já estão dentro da gente, como a mãe, o herói, a criança... mesmo sem a gente per...

Um discurso que emocionou...

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Como foi bom assistir ao Oscar deste ano, principalmente pelo discurso do vencedor de Melhor Ator, Michael B. Jordan. Emocionou a plateia, me emocionou e, com certeza, a muitos. Sua presença já dizia tudo: simples e carismática. E o discurso veio na mesma linha — de gratidão e reconhecimento de trajetória. Ele lembrou de quem veio antes e deixou claro que não chegou ali sozinho. Em um dos momentos mais bonitos, disse: "Eu vou continuar sendo a melhor versão de mim mesmo que eu puder ser." E  repetiu com emoção: "Eu amo vocês." Sem exageros, sem ser longo — na medida certa e cheio de verdade. E ainda surpreendeu depois: foi a uma lanchonete comer hambúrguer e milk-shake, com a estatueta na mão. Surpreendeu funcionários e clientes. Mesmo no auge da carreira, escolheu celebrar assim, ao lado de pessoas comuns. Jordan vem construindo sua carreira com consistência. Começou na televisão, ganhou força no cinema e se destacou em filmes como Fruitvale Station, Pantera Negra ...

Gala Dalí

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Fui assistir à peça Gala Dalí,  uma surpresa agradável, um presente para mim mes ma.   Um teatro mais simples, sem a grandiosidade dos grandes palcos. Mais próximo, mais aconchegante. A proposta da peça acompanha esse ambiente. Texto e atuação de Mara Carvalho, em cena com uma presença muito forte. Daquelas artistas de teatro mesmo —  que conduzem tudo pela palavra e pela presença. Não é um palco suntuoso, nem uma produção grandiosa. É simples — e não falta nada, porque o que importa ali é o texto. Gala aparece como uma mulher à frente do seu tempo, dinâmica, empreendedora, de personalidade forte. Passa por relações marcantes — primeiro com o poeta  francês Paul Éluard e depois com o artista Salvador Dalí — e fica a impressão de que foi muito amada, muito desejada, além de muito importante na vida dos dois. Um amor diferente, como tudo ao redor deles — muitas vezes descrito como sui generis. Há momentos em que a gente quer ser igual a ela.  Não em tudo — mas em ...