Apolinária e o que a leitura desperta

O livro Apolinária, de Bianca Santana, não foi unânime na nossa discussão no Clube de Leitura da Livraria da Travessa. Nem todos gostaram da leitura da mesma forma. Eu fiquei no meio: gostei mas não posso dizer que amei.

Ao longo da conversa, surgiram experiências pessoais. Falou-se do preconceito e da pressão para estar sempre "bem arrumada", impecável, como se a mulher negra precisasse provar o tempo todo que está à altura dos outros. Também vieram à tona o abandono, a separação e a sobrecarga que tantas mulheres enfrentam.

Depois do encontro, escutei uma entrevista da autora, Bianca Santana. Ela é brasileira, nasceu em 1980, é jornalista e escritora. Já era conhecida por Quando me descobri negra, obra de crônicas que recebeu o Prêmio Jabuti.

É seu primeiro romance. Não é autobiografia, como ela faz questão de dizer, mas parte da história da própria avó, uma mulher negra que saiu da Bahia e veio trabalhar em São Paulo como empregada doméstica.

Trata de temas antigos e ainda tão atuais, como trabalho, desigualdade e racismo, entre outros, de forma simples.

Não foi apenas sobre o livro. O mediador conduziu o encontro trazendo sua própria verdade, sua vida e sua experiência, com muita emoção. Isso marcou profundamente a todos nós.

"Depois de escalar uma grande montanha, descobre-se que há muitas outras montanhas para escalar." —  Nelson Mandela





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