Chegou Portugal. Chegou Saramago.

A escolha de Portugal nessa sequência de leituras curtinhas era algo que eu esperava havia algum tempo. Queria muito ler Saramago.

Comecei por O Conto da Ilha Desconhecida (1997). É um livro leve, gostoso de ler, quase uma fábula. O texto é simples, direto e acolhedor. Fala de desejo, coragem e sentido com delicadeza. A leitura flui fácil e deixa uma sensação boa.

Depois veio As Intermitências da Morte (2005). Já é outra experiência. O livro é maior e a leitura exige mais atenção. As falas se misturam, às vezes não sabemos quem está falando, e é preciso voltar, reler, ter paciência. No começo, a falta de pontuação confunde, mas logo a gente entende que esse é o jeito do Saramago escrever. Curiosamente, o tema não me incomodou. Mesmo falando de morte, o livro é irônico em muitos momentos e até engraçado. O desafio está mais em como se escreve do que na história em si.

Esses dois livros foram escritos depois de Ensaio sobre a Cegueira (1995), o livro mais conhecido do autor, e também após o Prêmio Nobel de Literatura, que Saramago recebeu em 1998. É um escritor que chegou ao reconhecimento mais tarde, já com uma escrita madura, muito própria e livre.

A leitura dos dois foi bem diferente, e eu gostei dos dois. 

"A pior cegueira é a mental, que faz com que não reconheçamos o que temos pela frente."
— José Saramago





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