Frankenstein no Clube Página Duppla

É difícil imaginar que uma brincadeira entre jovens escritores pudesse dar origem a uma das obras mais conhecidas da literatura mundial.

Quando Mary Shelley teve a ideia de Frankenstein, tinha cerca de 19 anos. Durante um encontro com amigos escritores, surgiu o desafio de criar uma história de terror. Certamente ela não imaginava que, mais de duzentos anos depois, sua obra continuaria sendo lida, discutida e adaptada em todo o mundo.

Desde então, Frankenstein inspirou inúmeras adaptações para teatro, cinema e televisão. Algumas destacaram o terror. Outras enfatizaram o amor, a solidão, a responsabilidade e a necessidade de ser aceito.

A vida de Mary Shelley também foi marcada por muitas perdas. Sua mãe morreu poucos dias após seu nascimento. Mais tarde, ela perdeu filhos ainda pequenos, ficou viúva muito jovem, enfrentando diversos momentos difíceis ao longo da vida.

No Clube de Leitura, ficou claro como cada uma de nós enxergava, defendia ou condenava Victor e a Criatura de forma diferente.

Algumas pessoas leram versões mais completas, outras, como eu, uma edição simplificada. Algumas conheciam adaptações antigas, mais voltadas para o terror. Outras tiveram contato com versões mais recentes, que destacam mais o lado humano da Criatura.

A conversa se estendeu a uma reflexão sobre pessoas que, por serem diferentes, na maioria das vezes enfrentam dificuldades para serem compreendidas e aceitas. Talvez seja justamente essa variedade de interpretações que explique por que Frankenstein continua tão atual.

Para mim, a surpresa da noite foi uma das participantes mais jovem do grupo, uma médica que recentemente se tornou mãe. Assim como eu, ela começou pela versão simplificada. Mas achou que aquela versão lhe oferecia pouco e decidiu ler também uma edição mais completa.

Achei bacana ver como o amor pela leitura encontra tempo, mesmo em meio aos cuidados com o bebê, ao trabalho, às responsabilidades do dia a dia e ainda ao prazer de manter atividades que nos fazem bem.

Foi uma noite de momentos incríveis. Uma das histórias mais bonitas que li nos últimos tempos. Um encontro delicioso com o Clube Página Duppla, na casa da Mônica, sempre tão acolhedora, e com os docinhos que ela sabe que eu adoro.

Mais um encontro que faz muito bem a todas nós. Uma pausa para a cultura, para a convivência e para os pequenos prazeres da vida


"Um,dois, Freddy vem te pegar 
Três, quatro, é melhor trancar a porta
Cinco, seis, segure seu crucifixo 
Sete, oito, fique acordado até tarde 
Nove, dez, não durma nunca mais..." 

A clássica cantiga infantil de terror cantada no filme "A Hora do Pesadelo"                    




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