Desencontros
Recentemente, vivi um desencontro.
Um sentimento de não ser compreendida — e isso me deixou triste por meses.
Fiquei pensando como isso mexe com a gente. Não é só o que acontece, é o que fica por dentro. Aquela sensação de não ter sido ouvida do jeito que precisava.
E, curiosamente, eu conheço a história do Van Gogh.
Uma vida inteira sem ser compreendido. Não vendia seus quadros. Dizem que vendeu só um — e ainda assim quase por pena. Quem realmente o sustentava era o irmão, que assumia todas as despesas.
Mas o mundo não entendia.
Porque a pintura dele era diferente. Avançada demais para a época. Enquanto muitos pintavam imagens mais certinhas, naturezas-mortas, ele via a paisagem de outro jeito. Ele sentia, interpretava, via além.
E isso, em vez de aproximá-lo das pessoas, acabava afastando.
Agora, estou lendo um livro que traz uma outra história.
Um menino encontra um grande músico. Chega cheio de admiração, querendo aprender — queria entender o som de uma nota pura.
O músico, com boa intenção, leva o menino para um café, paga e dá uma moeda de ouro. Um gesto bonito.
Mas o menino não queria aquilo.
Ele queria ser ouvido. Queria aprender.
E ali nasce outro desencontro.
Fiquei pensando como isso é comum. Quantas vezes oferecemos algo achando que está fazendo o melhor... e não percebe o que o outro realmente precisa.
Não é maldade. Talvez falta de sensibilidade.
E isso, quando não é bem compreendido, pode deixar marcas.
No fundo, acho que tudo volta para a mesma coisa: ser visto, ser compreendido.
E como isso faz falta.
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