Gala Dalí

Fui assistir à peça Gala Dalí, uma surpresa agradável, um presente para mim mesma. 

Um teatro mais simples, sem a grandiosidade dos grandes palcos. Mais próximo, mais aconchegante.

A proposta da peça acompanha esse ambiente. Texto e atuação de Mara Carvalho, em cena com uma presença muito forte. Daquelas artistas de teatro mesmo —  que conduzem tudo pela palavra e pela presença.

Não é um palco suntuoso, nem uma produção grandiosa. É simples — e não falta nada, porque o que importa ali é o texto.

Gala aparece como uma mulher à frente do seu tempo, dinâmica, empreendedora, de personalidade forte.

Passa por relações marcantes — primeiro com o poeta  francês Paul Éluard e depois com o artista Salvador Dalí — e fica a impressão de que foi muito amada, muito desejada, além de muito importante na vida dos dois.

Um amor diferente, como tudo ao redor deles — muitas vezes descrito como sui generis.

Há momentos em que a gente quer ser igual a ela.  Não em tudo — mas em alguns, sim.

Saí com uma sensação muito boa. Uma felicidade tranquila.

Mais do que uma história, é um programa agradável, que preenche o tempo com momentos gostosos.

Por vezes, ela repete a pergunta: quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

É um monólogo, mas há também falas masculinas em gravação, marcando a presença de Dalí. Ela mesma comenta que a tradução está no folheto.

São pequenos detalhes que deixam tudo mais íntimo, mais delicado.

Muitas vezes, ela assinava Gala Salvador Dalí. E isso é tudo.




Gala Dalí, no Teatro Sergio Cardoso,
prorrogado até 15 de abril.







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