Mestres da Carpintaria Japonesa
Penso em ir ao Japão, mas o tempo de voo ainda me traz ansiedade. Por isso, achei uma boa ideia me aproximar da cultura japonesa pelo que São Paulo tem a oferecer.
Foi nesse espírito que visitei a Japan House. Fui olhando mais para os encaixes do que para os pregos; mais para o trabalho do mestre do que para o resultado final. A exposição mostrava arquitetura, design e tecnologia, mas o que mais me chamou a atenção foi a delicadeza: das obras, do espaço, da forma como tudo se apresenta.
O Japão tem grande parte de seu território coberto por florestas, e a relação com a madeira é profunda. O carpinteiro japonês observa a árvore, seu crescimento e seu lugar na natureza para escolher a madeira certa para cada uso. Esse cuidado, que envolve respeito e responsabilidade, deu origem a técnicas baseadas em encaixes precisos, pensadas para durar.
Tudo ali é calmo. A luz é baixa. O percurso é claro. As pessoas falam pouco. O silêncio parece fazer parte da experiência. Sem perceber, a gente diminui o passo e baixa o tom da voz. Essa atenção aos detalhes também aparece nas pessoas: com delicadeza e gentileza, um segurança se ofereceu para me acompanhar até a beira da calçada para que eu pudesse fotografar a fachada de madeira do edifício em plena Av. Paulista.
Isso me fez lembrar do intercâmbio que fiz em Malta. No começo, as japonesas do meu curso eram muito tímidas e eu, como boa brasileira, esquecia: abraçava, chegava perto, ocupava espaço. No início, elas estranhavam. Com o tempo, foram elas que me abraçaram e nos convidaram a vestir a roupa típica japonesa.
Se um dia eu for ao Japão, vou precisar estar mais contida. Observar mais. Falar menos. Por enquanto, essa aproximação por aqui já é um treino cuidadoso.
"Se você quer ver o arco-íris, precisa aguentar a chuva." — Dolly Parton

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