Na livraria: Na voz dela, de Alba de Céspedes
Foi um dos clubes de leitura com opiniões mais divergentes que já participei: houve quem amou (como eu), quem achou apenas razoável, quem sentiu repetição, quem demorou muito para ler e até quem não conseguiu terminar. As leituras foram muito diferentes, inclusive em relação ao contexto do livro.
Minha impressão, sem dar spoiler, é que se trata de um romance de ficção em que os personagens estão acima da normalidade — e isso, para mim, torna a leitura interessante. Situações pouco comuns, que fogem do cotidiano, causam impacto e prendem a atenção.
Outro ponto positivo é a estrutura. É um livro linear: começa na infância da protagonista e acompanha sua trajetória até o final, sem grandes quebras ou idas e vindas.
Para uma das participantes, o que mais tocou foi o contexto da guerra na Itália e as mudanças no cotidiano da população — algo que ela reconheceu nos relatos que ouvia da própria mãe.
Para mim, a leitura seguiu por outro caminho. Fiquei mais direcionada ao universo feminino, marcado por uma distância emocional dos homens que me perturbou.
O livro foi proposto como leitura de férias. Eu estava num momento de ansiedade e queria me distrair, sem exigir esforço excessivo. Acabei lendo um livro grande com mais rapidez do que muitos menores.
Confesso que, num primeiro momento, achei que tinha perdido o final. Voltei algumas páginas e percebi que provavelmente eu tinha dormido ou me deixado levar pela ansiedade. Relendo, tudo fez sentido e o romance revelou um final impactante.
A noite do encontro foi muito agradável, com boas conversas, na Livraria da Travessa. No fim, houve um sorteio de livros — e eu ganhei. Como prefiro ler em e-book, presenteei uma das participantes que queria muito ler o livro. Ganhar num sorteio e poder presentear depois são duas coisas de que eu gosto muito.
Antes de julgar alguém, é importante conhecer a vida que essa pessoa viveu.
— paráfrase moderna de Liev Tolstói
Será que Tolstói vem puxar meu pé?

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