Estrangeiro X A Queda
Depois de ler dois livros curtinhos da literatura russa, continuei a leitura com mais dois livros pequenos, agora de um autor francês: Albert Camus. O Estrangeiro, de 1942 , e A Queda, de 1956. Apesar de serem livros curtos, não são leituras fáceis. Camus escreve de forma filosófica, o que exige atenção. É o tipo de leitura que pede calma e reflexão.
Em O Estrangeiro, o que mais me chamou a atenção foi a ausência de consciência moral do personagem. Ele vai vivendo, deixando as coisas acontecerem, sem questionar, sem reagir, sem se envolver. Parece que tanto faz o que acontece com ele ou o que ele faz. Essa postura cria a sensação de uma vida sem significado, quase vazia. Ele não age por maldade, mas por indiferença — e isso incomoda profundamente.
Já em A Queda, acontece o oposto. O personagem pensa demais sobre si mesmo. Ele começa a perceber que muitas de suas atitudes não vinham do desejo verdadeiro de fazer o bem, mas da vontade de se mostrar uma pessoa correta, admirada, superior. É um livro em forma de monólogo, mas profundamente introspectivo, em que o personagem vai se confrontando com a própria consciência e com as suas contradições.
Lidos em sequência, os dois livros se complementam. Um mostra alguém que vive sem conciência moral; o outro, alguém que sofre justamente por ter consciência demais. São leituras desconfortáveis, mas que fazem pensar sobre como vivemos, como agimos e o quanto estamos — ou não — presentes na própria vida.
Para o vídeo, usei obras de artistas franceses, presentes em acervos e exposições de museus brasileiros.
"Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade." — Albert Camus

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