Garota Interrompida
Recentemente participei de uma discussão sobre o filme "Garota, interrompida", a convite do meu amigo Júlio Rosa, professor doutor, psiquiatra e ligado à área de medicina legal da USP, junto com estudantes e profissionais do Direito e da Medicina.
Foi um encontro muito interessante e gostei muito de ter sido convidada.
O filme mostra a história de Susanna, interpretada por Winona Ryder, uma jovem que, nos anos 1960, após uma consulta com um psicanalista, recebe o diagnóstico de transtorno borderline e é internada em um hospital psiquiátrico.
Lá ela convive com outras jovens muito diferentes entre si, cada uma com seus problemas. Entre elas está Lisa, personagem de Angelina Jolie, uma jovem sociopata, intensa, manipuladora e muito envolvente.
Mas o que mais me chamou atenção foram as conversas que o filme trouxe. Até que ponto uma internação ajuda de verdade? Para quais pessoas ela realmente faz bem? Quando o atendimento especializado é necessário?
Também se falou sobre os tipos de internação e sobre como nossa legislação preserva a vida. Aqui, mesmo uma pessoa que tenta tirar a própria vida pode ser internada judicialmente. Em outros países, isso já é visto de forma diferente.
Também conversamos sobre inclusão de pessoas com sofrimento psíquico ou necessidades especiais. O ideal é sempre a convivência na sociedade, mas nem sempre existem estruturas preparadas para isso. A população mais pobre ainda encontra mais dificuldades para conseguir ajuda.
Foi um encontro muito importante e significativo para mim. E tenho certeza de que também para muitas outras pessoas do meu convívío. O filme acabou sendo o começo de uma conversa sobre saúde mental, inclusão, liberdade, cuidado e fragilidades humanas.
Carl Jung dizia: "A depressão é como uma mulher vestida de preto. Se ela chegar, não a expulse. Convide-a para sentar, ouça o que ela tem a dizer."
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