O Visconde Partido ao Meio — que livro chato!...até entender

Procurei um livro italiano pequeno para me divertir, para rir. E acabei escolhendo O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino.

No começo, estranhei. Achei tudo inusitado, fora do que eu esperava, e até pensei em desistir.

Li uma parte e notei uma coisa: não ri. E achei curioso, porque muitos falam do humor do Calvino. Mas o humor não é de gargalhada; é mais sutil, é mais de pensar do que de rir.

A história se passa na Sardenha, uma ilha da Itália, e é quase uma fábula, um livro totalmente esdrúxulo: um homem vai para a guerra, leva um tiro de canhão, fica dividido ao meio...e não morre.

Desde o começo já dá para ver que é uma ficção bem exagerada. E a história segue assim , nesse tom.

Mas, aos poucos, fui entendendo melhor.

A história mostra um homem dividido em dois: um lado só bom e outro ruim. E é curioso ver que nenhum dos dois funciona de verdade. Nem o extremo ruim, nem o "bom demais" dão certo. 

Os dois lados acabam prejudicando tudo ao redor.

O livro começa estranho, vai ganhando significado e acaba sendo uma leitura mais lenta, mas muito significativa. 

Agora, escrevendo sobre ele, estou gostando muito — tanto que até reli esse texto algumas vezes.

Vou listar os livros curtinhos que li este ano.

Pudera...só escolhi grandes clássicos da literatura.

Rússia
Noites Brancas — Dostoiévski
A Morte de Ivan Ilitch — Tolstói

França
O Estrangeiro
A Queda — ambos de Albert Camus

Brasil
O Alienista — Machado de Assis
A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água — Jorge Amado

Portugal
O Conto da Ilha Desconhecida
As Intermitências da Morte — ambos de José Saramago

Itália
O Visconde Partido ao Meio — Italo Calvino

Áustria
Carta de uma Desconhecida — Stefan Zweig







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